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"Não é o amor que sustenta o relacionamento. É o modo de se relacionar que sustenta o amor." Amor é troca, reciprocidade, bondade. Só conseguimos expulsar de nós aquilo que está verdadeiramente sólido por dentro.
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Perdida

Distância é bem diferente de ausência. Quem ama jamais se ausenta, sente necessidade de contato, afago, o que for. Se eu pudesse descrever a angústia que sinto... Talvez haja uma demonstração bem simples da sensação que sinto. Ultimamente me sinto como uma criadora de felino, um gato de pelos castanhos e olhos vivos, claros e muito bonitos. Sou uma dessas donas dedicadas, vivo em função de alimentá-lo, cuidá-lo, acarinhá-lo, quando me ausento por poucas horas ou dias, a primeira coisa que me ronda a cabeça é a necessidade de correr até ele. Pobre dona, todo mundo sabe que felinos são meio soltos. Pois bem, eu dou carinho, beijo, abraços e presente, dedico tudo de mim só para ver a satisfação nos olhos dele e consequentemente nos meus. Pobre dona... Eu já devia ter aprendido que aqueles arranhões não eram de euforia. Demorei a entender que os arranhões, agressões que esse tal felino me dava não eram brincadeira, era sua forma de dizer que sua natureza era essa. Por maior que seja meu amor e cuidado, é difícil entender que não seja o bastante, e é essa a sensação que tenho a cada dia, de que estou prendendo uma vida nos meus braços, enquanto ele se debate querendo fugir. Eu entendi, apesar de ser bastante doloroso ver nosso amor diante de nós praticamente gritando que sua vontade é outra. Ah, eu falava de um felino, não é? Então, este demonstrava mais distância dia a dia, fugia por dias, depois semanas, sem absolutamente nenhum sinal de retorno. A dona sofria, chorava, praticamente alarmava toda a vizinhança com seu desespero de não tê-lo no campo de visão. Aos poucos esse felino não apenas se distanciava, estava se ausentando de verdade... Do afago, do aconchego, de tudo que aparentemente fazia algum sentido e aparentemente construía outra atmosfera, sem comunicar a ninguém, tão pouco a sua dona. Como dizem por aí, quem muito se ausenta, com o tempo não gera tanta dor, a dona foi se acostumando, já não alarmava ninguém, ele era assim mesmo, ia e voltava, mesmo que demorasse. Essa demora parecia durar tempo demais, sua dona percebera e se preocupou, mas quem pode impedir a natureza de outro alguém? Ela permanecia ali, diariamente esperando, com os mesmos braços, a mesma vontade de apreciá-lo, desejando que seja mais uma desventura e que no fundo a saudade de casa bata e ele queira retornar.
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‎"Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais." Carlos Drummond de Andrade
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Respirar o amor, aspirando liberdade

Sou uma ariana em crise. Vivo de disputas internas, vivo me amarrando e soltando por dentro, um dualismo quase insuportável. Parte de mim é assim, vontade de gritar, ser louca, mostrar meu amor de forma exagerada, dramática e completamente espontânea. Pra ser franca, se eu pudesse ser eu mesma vinte e quatro horas por dia, supostamente seria mais solitária ainda, acho que a maioria das pessoas não aguentaria tanta intensidade alheia. Se eu pudesse me definir em um formato, acho que seria um coração. Sou emocional, sentimental, intuitiva, sou humana e apaixonada. Ser apaixonada já é uma condição que acarreta certo sofrimento. Apesar de apaixonada (e não é uma metáfora, há um sujeito!) eu tenho consciência de que existem pessoas diferentes de mim, pessoas que necessitam da ausência para querer a presença. Bem, esse é meu oposto. Não faz muito tempo que concluí e admiti isso para minha vida. Sou do tipo que aprecio o silêncio, aprecio olho no olho, risadas em momentos inusitados, abraços demorados, carinhos dos mais estranhos só por fazer carinho... Sou assim, uma esponja que absorve qualquer bom sentimento, e metaforicamente falando, assim como a esponja, também devolvo aquilo que foi absorvido. Pensando bem, para mim, um dos maiores sacrifícios é admitir que algumas pessoas não dependem tanto da presença, do afago, do ligar por sentir saudade, da mensagem porque lembrou naquele momento... Algumas pessoas simplesmente são assim, diferentes de mim. Algumas pessoas precisam da ausência para querer a presença. Essa frase martela minha cabeça há algum tempo e, por mais difícil de aceitar, eu entendo. Minha mãe sempre diz que, tudo demais é veneno. Talvez carinho demais seja veneno, tempero demais desanda a comida, cuidado demais atrapalha as quedas. Pois bem, eu tenho esse pensamento na parte racional do cérebro, mas como a dominante é a emocional, toda essa teoria é quebrada e desfeita. Meu coração se agita todas as vezes que eu preciso repensar antes de agir, e eu penso “mas é uma atitude tão boa! Por que não devo?” aí meu lado racional sinaliza que mesmo os maiores amores necessitam se resguardar. Quem ama cuida, e quem ama sabe o momento certo de dizer não. Todo esse texto já foi dito mil vezes dentro da minha cabeça, porém é engraçado saber que conheço todas as respostas, mas modificar o que é inato é uma tarefa dificílima! Nós humanos somos assim, subjetivos, contraditórios e por muitas vezes teimosos. O amor é como uma planta, regar diariamente é obrigatório para a saúde de nossa “planta”, mas as vezes esqueço que aguar demais não é bom, tem de ser na medida certa. Se a planta começar a murchar, é hora de mudar de lugar, talvez expuser ao sol, talvez regar menos, ou quem sabe fertilizar! Quem dera se no amor soubéssemos a receita exata, a medida certa de cada atitude. Bem, só sei que no amor ou numa planta, existe a regra geral: harmonia. Harmonizar cada atitude, nem mais nem menos, o necessário. Por mais que meu lado de doida de amor queira gritar, eu preciso me conter, porque outras emoções têm sono leve. Voltando a tal da ausência, talvez seja isso... Talvez eu esteja começando a usar minha inteligência emocional. Aos poucos to aprendendo a engatinhar nesse quesito, respeitando espaços, não me impondo, não implorando, porque amor é isso – amor é querer, desejo espontâneo e liberto. Minha mãe já me dizia que, quem ama sente falta e procura. Eu aprendi sozinha posteriormente que, quem ama também respeita, por mais que doa e seja sacrifício tomar certas atitudes, algumas vezes é pra saúde geral dessa planta. Nesse caminho meio incerto eu continuo tentando, sempre tentando acertar... E acho que estou indo bem. Como diria a música "tenho a vida doida, encabeço o mundo, sou ariano torto, vivo de amor profundo. Sou perecível ao tempo, vivo por um segundo. Perdoa meu amor esse nobre vagabundo ".
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Meio do avesso

Há alguns dias fiquei pensando no nosso quarto escuro, em como nós precisamos desse ambiente, inabalável e inatingível. Por mais que eu defenda bastante o jogo limpo, a honestidade dos sentimentos, clareza... Eu defendo esse lugar invisível, que vou chamar de quarto escuro ao decorrer do texto. É um lugarzinho aconchegante, o único que podemos ser nós mesmos e permitir que passe todo e qualquer tipo de pensamento sem julgamentos, sem represálias, nosso espaço interno. A importância de ser honesta (o) é trivial para as relações sociais, seja qual for, mas o quarto escuro é fundamental para nosso próprio bem estar. Se ainda não ficou claro, é aquele espaço invisível que cabe tudo o que não podemos e nem devemos expor por aí, por cuidado, proteção e até defesa. Somos muito, muito mais do que só o observável, por dentro existe um leque de informações inimagináveis, e isso é maravilhoso... É nossa privacidade, mesmo se tratando de sentimentos. Sou bastante falha em relação à intensidade que me exponho emocionalmente, a linha tênue entre expor muito ou me resguardar, às vezes, me deito com a sensação de que podia ter me limitado, guardado um pouco do foi dito. De qualquer forma, talvez algumas coisas aconteçam porque precisam acontecer, como um determinismo. Mesmo nessas situações em que eu falo demais, demais do que poderia ter sido, ainda assim eu encaixo coisas apenas dentro de mim, no meu quarto escuro... E é lindo, porque sinto um turbilhão de sentimentos como medo, ansiedade, alegria, euforia, dedicação, tanta coisa diferente e ao mesmo tempo eu, humana. Não me julgo uma fraca por isso, pelo contrário, precisamos aprender a honrar até nossas características, por mais incômodas que sejam. Um dos medos mais comuns é olhar-se por dentro, como se fosse um espelho – essa sensação nos coloca frente a frente a situações que tanto evitamos pensar, mesmo que ninguém veja ou ouça a voz que ecoa em nossas cabeças. A grande importância que sinalizo é que, não precisamos fugir de nós mesmos ou nos envergonhar por sentir... Sentir é a prova de que não somos parasitas, somos formados por variações internas, externas, diversas, que compõem nosso eu. O tal quarto escuro é a liberdade de sentir, resguardar tudo aquilo que não precisamos expor, por mais bonito que seja, é só nosso! Todos nós somos imprevisíveis, sem exceção, temos reações e sensações que por mais dedutíveis que pareçam, são particulares. Apreciar o que temos de melhor e possivelmente nos resguardar é essencial para uma vida tranquila, pois não se trata de um jogo, mistério sem motivo ou introspecção, é só nossa liberdade de, por alguns instantes, pertencer a nós mesmos sem pudor.
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O céu e o inferno

Reza uma lenda chinesa que um discípulo perguntou ao seu mestre:
- Qual é a diferença entre o céu e o inferno?
Ao que o mestre respondeu:
-É uma diferença pequena que, no entanto, tem grandes consequências. Vem, vou mostrar~te o inferno.
Entraram numa divisão onde um grupo de pessoas estava sentado à volta dum grande recipiente com arroz. Estavam todos famintos e desesperados, cada um segurava com força uma colher com o cabo comprido, que chegava até à ponta do recipiente, mas o cabo era tão comprido que eles não conseguiam conduzir a colher à sua própria boca. O desespero e o sofrimento eram terríveis.
- Vem - disse o mestre ao fim de pouco tempo. - Agora vou mostrar-te o céu.
Entraram noutra divisão , idêntica à primeira. Lá estava o recipiente com arroz, o grupo de pessoas, as mesmas colheres de cabo comprido, mas ali todos se mostravam felizes e saciados.
- Não compreendo - disse o discípulo . - Porque é que as pessoas aqui estão tão felizes se as circunstâncias são idênticas às das pessoas do lado, tão miseráveis?
Não reparaste? - o mestre sorriu. - Como as colheres têm cabos compridos e não conseguem levar a comida à sua própria boca , eles aqui aprenderam a alimentar-se uns aos outros.
Nietzsche
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O escorpião

"Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
— Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas às vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?
O mestre respondeu:
— A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida.

Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso... é problema deles."