Uma dose de juízo, por favor

6:24 PM

Fiquei observando as pessoas hoje, durante o almoço no shopping e de repente a questão surgiu como um letreiro piscante na minha mente: As pessoas estão constantemente buscando a perfeição nos mínimos detalhes. Ta, ta... Todo mundo já ouviu falar que ninguém é perfeito, mas mesmo assim estão querendo se aproximar dela. Mas a verdade é que se houvesse perfeição, seria um tédio. Ao imaginar alguém perfeito, sempre associo a falta do “algo a mais”, sim, sim! Quando algo é perfeito, nunca sai do padrão, nunca erra, nunca surpreende, porque está sempre agindo como o desejado e esperado. Viver assim realmente é válido? Aposto que quase todo mundo já passou pela situação de estar com alguém “perfeito” ou próximo disso e se sentiu estranho ou até mesmo inferior a ela. Percebe-se que há uma comparação, mesmo que não seja consciente. Talvez essa comparação, desconforto ou o que for, não seja positivo em relação à outra pessoa “perfeita”, só faz com que a gente se sinta diferente. Cheguei à conclusão que perfeito e imperfeito não existe. Há jovens por aí que se dizem ser feios ou terem defeitos x e y, e acabam gerando um problema tão grande que toma proporções sérias, como uma doença. Como diria um amigo; a gente ainda irá olhar as fotos antigas e dizer como éramos bonitos e não sabíamos. Felizmente ninguém é perfeito! Felizmente ainda podemos surpreender e errar, aprender com os erros, aprender a consertar erros, enfim. Um “defeito” só é ruim quando atinge outra pessoa, quando se torna incômodo a outra pessoa por meios nossos. Se nossas atitudes atingem os outros, realmente deve ser revisto, mas não acho que possa ser chamado de defeito. Imperfeito e perfeito não são qualidades julgáveis de ninguém, porque não existe, são apenas características que adquirimos e nos diferenciam. Tantas pessoas, tantos lugares, tantas mentes e nenhuma igual. Não é de hoje que essa busca incansável pela perfeição existe. Antigamente as francesas morriam asfixiadas com o corselet tão apertado, somente para parecerem ser mais bonitas e magras. As orientais deformavam os pés para o terem pequenos. Padrões é o que nossa sociedade mais cria. Se todo mundo tivesse em mente que é possível ser feliz e ser belo como é, com suas qualidades e características próprias, muitos problemas não existiram. Desde já peço desculpas a aqueles que são mil sorrisos a todo instante, que têm sempre palavras certas na ponta da língua, que não erram, nunca estão feios, não se abalam por nada e estão esbanjando gentileza a torto e a direito. Somos humanos, não bonecos. É necessário que haja a surpresa, que haja a raiva, os momentos descontraídos e tudo mais. Sinceramente, essas pessoas que tentam demais, tentam ser “tudo de bom” me dão preguiça e soam com uma imagem um tanto quanto falsa. Eu particularmente não gosto de palavrões e falta de gentileza, a grosseria; mas entendo que há dias em que estamos meio intolerantes. A questão é: Haja como um humano, com ação e reação! De coisas automáticas o mundo está cheio. É bem mais provável que conseguiremos conquistar amizades e admirações com atitudes que envolvem erros e acertos, do que ações articuladas prevendo um fim “perfeito”. Todo mundo tem o velho discurso na ponta da língua de que odeiam falsidade, odeiam futilidade, inveja e afins... Mas a hipocrisia grita, escorre pela face num instante em que se matam (literalmente) para causar a inveja alheia. É... Quem sabe um dia as nossas crianças cresçam com mais consciência de que beleza acaba, dinheiro acaba, tudo acaba... Só permanece o que construímos dentro da mente, ninguém toma e é ilimitado.

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