Aguardando que os anjos batam em minha porta

4:15 PM

Quase todos os dias eu abro a página, começo a escrever e no mesmo momento apago tudo que acabei de pensar, ou escrever. De uns tempos pra cá eu me permiti ficar ausente de tudo e todos, e ainda sinto que preciso disso porque só assim to conseguindo sair do que me sufocava. É estranho observar quão superficial as pessoas podem ser. Pra ser sincera há muito tempo eu estou nessa observação e só me espanta mais. Desde que o homem é homem sabemos que aqueles que consideramos amigos não são perfeitos, e muito provavelmente, a maioria deles vão sumir da nossa vida, porque tudo é passageiro e é uma forma de aprendizagem; eu só não sabia que era tão repentino. No momento em que mais precisamos de fato é que sabemos quem é amigo, e eu posso sentir isso com uma intensidade avassaladora, dia após dia percebo que esse mal se faz presente em muitas pessoas. É incrível como muitas não tem a menor sensibilidade pra notar quando demonstramos não estar no melhor dia. Você fala, fala e aquela pessoa simplesmente passa por cima de suas palavras e começa a falar de seus próprios problemas como se fossem maiores e mais importantes. Egoísmo é um problema que machuca. Há dias eu precisava de atenção, nada mais, só aquelas palavras especificas e não vi essa disponibilidade sincera de forma alguma e me espantei ao ver como as pessoas podem ser assim. Enfim, acho que é algo que os acompanha a uma vida, talvez nem percebam, porém, não deixa de ser um problema extremamente desagradável a meu ver. Fugir de problemas seria a melhor coisa se pudéssemos, é tudo que eu desejo quando me deito, mas infelizmente ou felizmente não podemos... No máximo mudar o foco, mas jamais fugir. Eu não sei o que é pior – se é evitar o quanto pudermos os problemas e frustrações, com risco de quando desabar a força for multiplicada, ou pensar ate não suportar mais no que nos angustia e tentar mudar. Ainda to tentando achar a resposta disso. Ultimamente tudo parece um clichê, não se pode descrever as frustrações com detalhes porque só quem tem conhece os detalhes e a profundidade de si. É como se todos os dias eu olhasse pela janela esperando que apareça quem vai acabar com isso, quem vai me ajudar a me encontrar, me tirar do abismo que me jogaram e eu não tenho força pra levantar mesmo avistando a paisagem já. Há quem consiga viver muito bem sem ter tudo o que deseja, mas eu não sou dessas, não consigo ignorar por tanto tempo e manter um sorriso fixo como se nada tivesse acontecido, porque senão haveria uma falha de comunicação: meu sorriso diz algo, mas meus olhos dizem outra coisa, e por acaso eles estão certos. Não consigo senti-los tão brilhantes mais e isso é terrível. A verdade é que eu me sinto confusa, presa e solta demais ao mesmo tempo e isso tortura, porque ninguém pode ser realizado estando livre, e tão livre a ponto de estar só, como eu me encontro. Essa liberdade aprisiona. Nessas horas acontece comigo o que vejo em tantas pessoas; o egoísmo de querer os problemas pra mim, achar que todo o drama só eu sinto e não ver que existem coisas maiores que isso. Mas eu percebo a tempo de não cometer esses erros, só queria não sentir isso, não me encarregar de um peso que não precisava, até pela minha curta idade, acho que o fardo é pesado demais e eu precisava entender isso pra me sentir melhor. Apesar de tanta angustia por algo tão bonito e simples, eu confio no amanhã, que sempre será melhor e me trará um conforto. Com tanta dor ou lágrima, talvez a cura aconteça naturalmente. Mesmo que não haja quem ouça, quem tenha essa sensibilidade, ela está em mim e isso já basta... Porque o amor sempre esteve aqui, ele só não se achou.

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