A inocência é boa pra quem sabe amar

7:31 PM

Eu percebi que preciso fazer uma longa viagem, me distrair e me manter longe de tudo que faça eu me sentir menor. Essa viagem é a mais cara, a mais trabalhosa e a mais rica que eu posso imaginar... Porque é aqui dentro, dentro de mim mesma e talvez as respostas estejam espalhadas em grãos tão pequenos quanto os da areia. Há alguns dias eu não tenho me reconhecido, ou não reconheço as pessoas e as cores delas, seja o que for, tem me perturbado e assustado. Sei que nós estamos em constante mudança e aprendizagem, mas as mudanças só são consideradas boas para mim quando são aos poucos, lentamente, não reajo bem com coisas impulsivas e repentinas. Nós somos muito maiores do que pensamos e muito mais fortes do que um sentimento de medo qualquer. Se me perguntarem afinal que medo é esse que eu tanto falo, sinceramente não sei, às vezes bate a minha porta e me faz sentir como se fosse uma gota no meio do mar. Todos sabem ou já sentiram, é torturante. Após esse estágio vem o torpor, uma calma comparada a dias após tempestades, aqueles raios de sol iluminam meu rosto e eu me sinto tranquila. Aonde já se viu no mesmo ser haver dois sentimentos tão distintos: tranquilidade e desespero. Pois é, ainda bem que a calma compensa tudo em alguns segundos. Bom, eu não quero falar da insegurança, quero falar de quão maiores somos. Somos maiores do que o mar, maiores do que uma gota e melhores do que qualquer repreensão dada por sentimentos que jamais iremos entender. Vou explicar; cada pessoa possui seus momentos e sensações, e nem com todo o amor que possam dar a outra pessoa será entendido o que ela pensa. É obvio que o fato de não sabermos o que ela pensa está diretamente associado ao que ela sente; não se trata disso, trata-se de expectativas que criamos em relação ao comportamento recíproco. Acho que a maioria das fraquezas humanas se da por isso – esperamos, depositamos nossas energias e expectativas em pessoas e se o rio não corre no percurso que desejamos a gente fica de mãos atadas. Não sei se é erro, fraqueza, falta de experiência, mas isso é bastante comum. Costumo admirar muito o afeto na sua forma mais sincera, seja em uma amizade, relacionamento a dois, enfim, acho que transparência em sentimentos é a maior prova de amor, mas infelizmente as pessoas são falhas e às vezes razão e coração entram em choque, fazendo-nos questionar coisas inquestionáveis e dificilmente quem sente sabe separar até que se encontre o meio termo e aí o pesadelo começa: quem divide um sentimento sabe que isso acontece, mas não entende. Quem compartilha do sentimento está fadado à insegurança, cobrança, a famosa dependência emocional e alguns o chamam de fraqueza. Sabe, por mais que aqui haja exceções, eu só digo que, paciência é a chave para tudo. Paciência e amor andam lado a lado, e unir dois sentimentos tão nobres não pode resultar em algo ruim, portanto, acreditar no nosso tamanho e usar a paciência que há escondidinha em si é essencial. Só podemos ser livres se soubermos experimentar a liberdade dividida, que renuncia a liberdade solitária e nos torna gigantes.

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