1ª pessoa do plural

6:49 PM

Tenho me acostumado a ser quem eu sou. Esses dias de descompasso, desperdício e deslealdade com tudo me faz ter mais vontade de ser quem eu sou, ao mesmo tempo, me questiono sobre o inquestionável, parece que aquelas pessoas que sabem fingir, mentir e esquecer vivem melhor. Eu não sei, só sei que mentir para si mesmo é a pior mentira, eu não consigo. Notei que mesmo tomada por uma insatisfação, diria até tristeza, o velho altruísmo volta, e eu me sinto feliz sabendo que “permiti” abrir espaço para a vontade alheia, mesmo que isso me torture, machuque e faça minha cabeça ter milhares de perguntas sem resposta, é como se eu dissesse “você está livre”, talvez amor seja isso mesmo. Jurei a mim mesma não chorar, mas eu esqueço quando me apego a lembranças tão vivas que só cabe mesmo em mim, e ao invés de retirar, limpar tudo, eu me aproximo mais, em pensamento a distância é mínima. Se me perguntassem qual é minha maior vontade agora, eu diria que era perder o interesse em tudo que ainda sinto, friamente, sabe, sem terrorismo, mas no fundo o meu eu diria “quero tudo de novo!”. “Já passou, já passou”, é só isso que ouço por aí, essas são as palavras daqueles que têm motivos para não lutar por mim, por nós, por isso, porque para outras pessoas é simples demais. Ao meu redor vejo o mundo continuando, tudo aparentemente igual, menos meu interior. Posso comparar a uma espera na janela em que, por dentro o vidro está sujo, mas as pessoas só se preocupam mesmo com o lado de fora. Certa vez, li num porta-retratos, li numa imagem, num período doce que, o amor é paciente e bondoso; não é orgulhoso, nem arrogante ou grosseiro; não se alegra com os erros, alegra-se com o que é correto, espera... E eu jamais esqueci. Muitas vezes nós deixamos oportunidades e pessoas passarem, por bobagens, por momentos, depois é que se percebe o que foi causado, e nem sempre é reversível. O tempo tem passado tão rápido, desde as últimas decisões, desde o último aniversário, e amanhã já não se sabe como será, então, há coisas a repensar, e eu só tenho feito tal coisa. O tempo é nosso, nós o fazemos, amarguras e coisas pequenas deveriam ser retiradas da vida, não podia sequer ser classificado no português como pretérito imperfeito, devia ser varrido. Por falar em pretérito imperfeito, quando eu digo “amava” não podia soar mais imperfeito, por mim, jamais sairia do “eu amo”, aliás, não saiu. Não pretendo substituir pronomes possessivos, mesmo sabendo que na prática o tempo já tratou de substituir. Por mais bizarro e aparentemente masoquista que seja, sou do tipo que só me sinto de volta a mim, olhando na mesma direção, quando todas as perguntas (as mais importantes) são respondidas, as coisas estão transparentes, as histórias têm um ponto, afinal de contas, os pontos nem são de fato sinal de terminação, apenas uma pausa nessa vida tão cíclica. Eu sei que a fome que eu sinto e a necessidade de que juntem meus cacos, as marcas à mostra, tudo para que apenas um único alguém perceba, é fruto de uma vida, a minha vida, e pode ser que seja sem querer, nem sempre há explicação lógica para cada ação das pessoas. Felizmente não preciso me preocupar em provar nada a ninguém, a maior prova é a de ser quem sou e assumir meu eu com as virtudes e virtudes, já que não acredito em fracasso por não ser o que esperam. As pessoas ao redor, quando digo ao redor me refiro à vista subjetiva das pessoas, elas acham que saber seu nome, um pouco dos acontecimentos ocorridos etc., lhes dão o direito de opinar, interferir e julgar, e isso é um erro medíocre. A coisa certa é aquilo que nos faz bem, principalmente tratando de duas pessoas. O certo é o que faz bem a elas, o que havia entre elas, o que há entre quem viveu e só. Depois de algum tempo a gente aprende a arte do improviso na vida. Se as coisas não correm no ritmo planejado, troca-se o giz por tijolo, lápis de cor ou até imaginação, então se desenha o sol novamente. Até que estou indo bem...

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