Os outros são os outros

5:57 PM

Todos os meus textos, minhas conversas, minhas lembranças, absolutamente tudo relacionado a mim têm sido tão repetitivo e tão insistente quanto meus sentimentos, que até então, pro meu espanto, não mudaram, não diminuíram. Esses dias tão decisivos, tão mistos de emoções, eu jurei a mim mesma que seria uma nova força regente, e o que vejo é o contrário, para o meu desespero, eu não sei lidar comigo mesma. Nada poderia ser pior do que isso, mas percebi que há sim, algo ainda pior – eu abri mão de algo por achar que seria o mais correto e não, desaprendi. Antigamente, num passado não muito distante a Raíssa que viveu aqui dentro era tão articulada, e a atual está fadada a pensar em uma só coisa, e insistentemente me direciona para aonde quer que eu imagine, pro lado de quem eu queira estar. A articulação que me referi anteriormente me fazia acreditar que certas coisas podiam ser apagadas facilmente, esquecidas, ignoradas com a mesma força que me invadiu, mas me surpreendi. Eu sinto nitidamente meu corpo ser consumido de uma força que, ao mesmo tempo me motiva, me domina, me domina... É isso. Toma conta da minha mente, rotina, planos e eu nunca consegui me conformar, só me conformo com aquilo que não existe solução nenhuma, irreparável e ignorável. Amor nunca será assim, é um sentimento ímpar. E o meu é assim, lindamente único. A maior graça disso tudo, em resumo, é perceber que enquanto ouço que a cada manhã a gente se desapega um pouquinho, a cada manhã as coisas mudam, eu sou a prova viva e afirmo: a cada manhã me apaixono mais, pelo ser, pela ideia, pelo meu próprio amor, pelas lembranças que eu não quero esquecer, pela esperança e por não desistir. Eu queria transparecer, queria que pudessem ver ao menos um pedaço do que há aqui, assim, eu acreditaria que é mais fácil de ser entendido... E dividido, porque derrama, transborda e eu não aguento mais guardar só comigo.

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