Uma voz rompe o silêncio

6:40 PM

Meu aniversário está chegando, é. Eu devia ter um motivo muito sólido para comemorar e me sentir em êxtase, tão bem, mas hoje meu desânimo oculto ressurgiu. Parece que o mundo está girando ao contrário, eu tenho evitado demonstrar qualquer coisa, como quem tampa uma mancha com maquiagem, eu até me saí bem, mas a vida é assim mesmo, adiando, adiando e deixando, que as coisas desmoronam. Eu consigo até ver um pouquinho de humor nessa minha capacidade de desmoronar facilmente. Mentira, facilmente é quando a gente não sente, como quando as pessoas não entendem os problemas alheios e conseguem jogar uma solução pronta. A dor só é sabida por quem sente, sempre entendi isso e agora sei na prática. Novamente sinto que certas coisas me fogem do controle, coisas que eu me sentia apta para dominar, não são domináveis... Eu e minha carga de sentimentos não somos. Não obstante, minhas noites são interrompidas por insônias, meu corpo sente como quem pedisse um pouco de atenção, ansiedade, eu não consigo controlar o que só um órgão meu pode causar, tal órgão que carrega consigo tanto, tem tanto para dizer. Como diria Caio Fernando Abreu, não há sentimento mais masoquista às vezes, e quem disse que eu me importo? Antes sofrer e cair, cair de novo e levantar do que ser uma pedra. Fria. Sem vida. Mesmo fraca e em pedaços eu continuo aqui e me refaço a cada dia com uma nova esperança reinventada, como se meu potinho de bons elementos nunca tivesse fim, e não tem. O sol reaparece depois de uma tempestade, isso nunca fez tanto sentido, não posso esquecer jamais, quando minha paciência insiste em se afastar eu me lembro das melhores coisas, mudo o jeito de enxergar. Acho que amor é parecido com isso.

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