Untitled

2:00 PM

Depois de pouco mais de um mês sumida de muitas coisas, de mim mesma, procurando uma direção, eu retorno quase a mesma, em partes, transformada, outra parte não modifiquei um centímetro. Hoje eu diria muitas coisas se você telefonasse. Diria tantas e tantas coisas que talvez até esquecesse o início da conversa. Em resumo, há mais de um mês eu tento voltar para o meu eixo, mas parece ter se dissipado realmente. Não sei onde está o início e o fim das partes que eu já tive, só restou uma frágil peça que se desmonta a cada dia, buscando reconstrução. Até alguns dias havia calma, pronta para a próxima queda das muitas que virão, mas amargamente vi que não, e isso frustrou, doeu demais. O mais difícil de passar por uma situação ruim, não é apenas superar, ou tentar superar, é ter de fingir ser o que não sou; sorrir quando o que se quer é gritar, chamar a atenção, desesperadamente mostrar que estou sangrando por dentro. Sem exageros, às vezes a sensação que tenho é de que posso sentir nitidamente o sangue escorrendo, ou as lágrimas que eu prendo com tanta força a ponto de doer o maxilar. Quase todos os dias faço uma força subumana para suportar o insuportável. A parte boa, se é que existe alguma parte boa nessa história, é que estou mais racional, os dias passam rapidamente na maioria do tempo, ouço uma música, rio de alguma bobagem, passo pelos dias, praticamente ilesa e isso maquia a situação, essa é a verdade. A gente só sabe se conseguiu algo ou se aprendeu uma lição testando, e em todos os testes até aqui eu não posso me orgulhar dos esforços que fiz, acreditando cegamente que estava no caminho certo. Isso é uma derrota pessoal, uma briga entre eu e eu mesma, não há vencedora, me sinto perdida quando percebo que no teste básico de ação e reação eu sei maquiar bem, mas por dentro só eu sei o que acontece. Eu não culpo ninguém pelas minhas dores e tristezas, são minhas e por mais que me digam “fica bem” ou “tudo vai ficar bem”, honestamente, é mais fácil falar isso sem estar no meu lugar. É mais fácil desviar o olhar ou agir como se estivesse diante de um estranho sem estar no meu lugar, porque no meu lugar, isso fere, arde, maltrata. É engraçado me sentir assim, pareço chocar as pessoas com algo tão “superável”. Antes fosse, e se eu conseguisse. Minha única vontade, sinceramente, mais do que voltar a me sentir como antes, mais do que ter toda a minha felicidade de volta, era poder me mostrar como sou... Fingir dói demais, meus olhos SEMPRE me traem. Esse silêncio que eu sou forçada a fazer é angustiante e me torna fatalmente sozinha. Faz tempo que não choro, mas hoje chorei e ainda estou fazendo isso, já que para tentar disfarçar eu misturo, enfio na frente vários sentimentos melhores para me distrair e acabo sem saber lidar com isso. Hora o que parece tristeza, parece também raiva, frustração e medo, não sei mais controlar, até agora não me ensinaram a terminar algo que um dia já me trouxe tanta paz. Há dias em que só sei lembrar, lembrar e lembrar, como hoje! Mesmo sabendo que meus pensamentos e boa vontade jamais serão o bastante para despertar a delicadeza a quem eu desejo, é como uma doença, uma febre me toma, eu não reajo. Tentando me curar dessa tal doença, já tentei de tudo, músicas novas, lugares novos, companhias novas, até sabores novos, mas nada tem adiantado, tenho medo de ter se tornado crônico, ou seria normal quando o sentimento foi verdadeiro? Bom, eu sei que para experimentar novos chás é necessário esvaziar a xícara, mas se esse chá da xícara ainda estiver cheio e quente, e for o sabor preferido... Automaticamente a vontade é de demorar a beber, não esvaziar, não é?

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