Respirar o amor, aspirando liberdade

4:27 PM

Sou uma ariana em crise. Vivo de disputas internas, vivo me amarrando e soltando por dentro, um dualismo quase insuportável. Parte de mim é assim, vontade de gritar, ser louca, mostrar meu amor de forma exagerada, dramática e completamente espontânea. Pra ser franca, se eu pudesse ser eu mesma vinte e quatro horas por dia, supostamente seria mais solitária ainda, acho que a maioria das pessoas não aguentaria tanta intensidade alheia. Se eu pudesse me definir em um formato, acho que seria um coração. Sou emocional, sentimental, intuitiva, sou humana e apaixonada. Ser apaixonada já é uma condição que acarreta certo sofrimento. Apesar de apaixonada (e não é uma metáfora, há um sujeito!) eu tenho consciência de que existem pessoas diferentes de mim, pessoas que necessitam da ausência para querer a presença. Bem, esse é meu oposto. Não faz muito tempo que concluí e admiti isso para minha vida. Sou do tipo que aprecio o silêncio, aprecio olho no olho, risadas em momentos inusitados, abraços demorados, carinhos dos mais estranhos só por fazer carinho... Sou assim, uma esponja que absorve qualquer bom sentimento, e metaforicamente falando, assim como a esponja, também devolvo aquilo que foi absorvido. Pensando bem, para mim, um dos maiores sacrifícios é admitir que algumas pessoas não dependem tanto da presença, do afago, do ligar por sentir saudade, da mensagem porque lembrou naquele momento... Algumas pessoas simplesmente são assim, diferentes de mim. Algumas pessoas precisam da ausência para querer a presença. Essa frase martela minha cabeça há algum tempo e, por mais difícil de aceitar, eu entendo. Minha mãe sempre diz que, tudo demais é veneno. Talvez carinho demais seja veneno, tempero demais desanda a comida, cuidado demais atrapalha as quedas. Pois bem, eu tenho esse pensamento na parte racional do cérebro, mas como a dominante é a emocional, toda essa teoria é quebrada e desfeita. Meu coração se agita todas as vezes que eu preciso repensar antes de agir, e eu penso “mas é uma atitude tão boa! Por que não devo?” aí meu lado racional sinaliza que mesmo os maiores amores necessitam se resguardar. Quem ama cuida, e quem ama sabe o momento certo de dizer não. Todo esse texto já foi dito mil vezes dentro da minha cabeça, porém é engraçado saber que conheço todas as respostas, mas modificar o que é inato é uma tarefa dificílima! Nós humanos somos assim, subjetivos, contraditórios e por muitas vezes teimosos. O amor é como uma planta, regar diariamente é obrigatório para a saúde de nossa “planta”, mas as vezes esqueço que aguar demais não é bom, tem de ser na medida certa. Se a planta começar a murchar, é hora de mudar de lugar, talvez expuser ao sol, talvez regar menos, ou quem sabe fertilizar! Quem dera se no amor soubéssemos a receita exata, a medida certa de cada atitude. Bem, só sei que no amor ou numa planta, existe a regra geral: harmonia. Harmonizar cada atitude, nem mais nem menos, o necessário. Por mais que meu lado de doida de amor queira gritar, eu preciso me conter, porque outras emoções têm sono leve. Voltando a tal da ausência, talvez seja isso... Talvez eu esteja começando a usar minha inteligência emocional. Aos poucos to aprendendo a engatinhar nesse quesito, respeitando espaços, não me impondo, não implorando, porque amor é isso – amor é querer, desejo espontâneo e liberto. Minha mãe já me dizia que, quem ama sente falta e procura. Eu aprendi sozinha posteriormente que, quem ama também respeita, por mais que doa e seja sacrifício tomar certas atitudes, algumas vezes é pra saúde geral dessa planta. Nesse caminho meio incerto eu continuo tentando, sempre tentando acertar... E acho que estou indo bem. Como diria a música "tenho a vida doida, encabeço o mundo, sou ariano torto, vivo de amor profundo. Sou perecível ao tempo, vivo por um segundo."

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