Aspirante

8:42 PM

Como é difícil provar pro meu coração que ele precisa ser mais orgulhoso! Até hoje (não que tenha passado tanto tempo assim) eu fico numa espécie de gráfico com picos de felicidade, orgulho, mas sempre tem aquela parte que identifica a tristeza, a lástima. Olha, eu não queria continuar escrevendo, falando, fazendo qualquer coisa que fizesse referência a isso, mas é mais forte do que eu... Não é possível viver guardando na garganta uma coisa tão forte, então, pelo menos aqui posso ser eu. Escrevi um texto anteriormente falando desse sentimento parecido, mas a cada dia o foco mais doloroso disso tudo é outro. Mais do que tristeza e sensação de vazio, injustiça, eu tenho guardado na garganta uma tristeza tão grande pelo silêncio que se faz, e só eu sei. Pior do que ter meu amor mais puro traído, descartado tão brutalmente, acho que o som que o silêncio faz me agride todos os dias mais do que aquele último dia. O som do silêncio corrói, faz da mente um jogo sádico. Em todas as manhãs faço o mesmo ritual, me atento ao que estou sentindo, percebendo cada detalhe do momento que se inicia. Primeiro observo a luz que entra no quarto, depois imediatamente tento perceber se o que acordei sentindo é recorrente do ontem. Pois bem, por todos os dias as coisas se repetem incansavelmente na minha cabeça. Eu lembro que não haverá ligações, não haverá contato, não haverá beijo ou abraço, não haverá o que era essencial nos meus dias... E junto a isso é óbvio que me entupo de culpa! Aonde já se viu um coração tão burro, meu Deus! Que pessoa em sã consciência vivencia o que eu vivenciei aquele último dia e tantos outros, da forma que aconteceu vindo de quem eu mais amava, e continua assim? Me culpo por não ter um coração cheio de orgulho, por não lembrar do que aconteceu e fazer disso impulso pra esquecer instantaneamente, e principalmente por ter amado tanto. Parece imaturo demais ter essa mentalidade agora, racionalmente também concordo, mas fingir uma situação é algo que não desejo a ninguém. Nada é mais sufocante do que fingir que está superado, não tocar no assunto com seu ninguém, não ouvir as músicas que o lembravam, sequer sonhar em tocar no telefone para qualquer ideia bizarra que possa aparecer. Todos os dias eu tento "esquecer temporariamente" os bons momentos num lugar aqui dentro (um bom lugar) e fazer questão de lembrar aquele último, daquilo que me causou tanto sofrimento até hoje... Mas tudo parece em vão. O que eu sentia era tão grande e maior do que eu, que mascarar isso me faz parecer idiota. Coisas como sair enlouquecida pela noite, fingir situações ou interpretar nunca combinaram comigo. Permitir-me esse silêncio se torna mais difícil por ter consciência de que eu não precisava, simplesmente não precisava estar sentindo tanto. Diariamente deveríamos nos questionar coisas simples, que poupariam grandes frustrações, como "por quê?", "para que?", e enfim tentar compreender o que é recorrente. Olha aí a minha falta de absurdo dando as caras, eu tenho as cartas na manga, sei que o que eu chamo de "coração burro" só é burro porque eu, talvez, permito que ele seja... Mesmo não querendo permanecer assim. Eu não preciso permanecer assim.

You Might Also Like

0 comentários