Cultivando

12:25 AM

Tenho conversado tanto comigo mesma esses dias, crio um debate, com réplica, tréplica comigo mesma... Uma confusão, mas eu tento me achar. Existem várias Raíssas aqui dentro, uma sensata, uma disposta a viver sem medir as consequências do amanhã, das ações, outra que vive à flor da pele... Mas eu tenho uma tendência a sempre ouvir mais alto uma delas, nem preciso mencionar qual. A Raíssa sensata deseja focar nos estudos, ignorar a fase atual reduzindo-a ao que o próprio nome sugere: fase. A Raíssa dona-de-si não liga pra ninguém, ninguém mesmo, não importa se vão se doer, faz o que quer, como quer e a hora que quer. A Raíssa sensível, tão à flor da pele, ah... Essa da trabalho. Essa é a que eu gosto mais! É a que sonha acordada, lunática mesmo, entende que cada ação respinga em alguém, que vale a pena preservar valores, esperar o momento certo das coisas, mas sempre desejando. Independente de cada uma dessas personas, todas são parte de mim, não há como separar e escolher qual delas vou interpretar. Sou muito apaixonada, muito intensa, mesmo não fazendo sentido dizer que a condição de paixão não é no "ser" e sim no "estar". Pois eu digo que sou! Meu coração pode se desmanchar em mil pedaços, mas há um esconderijo onde eu guardo esse amor, esse desejo de vida, de respirar amor. É tudo muito bonito na teoria, eu sei... Mas eu sou isso. Há sempre vivo aqui dentro uma necessidade de tornar o amor real, como diz o maravilhoso Nando Reis. Tornar o amor real é isso, doar, expulsar de dentro, dividir, ter o objeto amado ao lado. Pra entender isso é muito simples, basta imaginar uma planta – você não precisa regar, cuidar e plantar flores bonitas só quando receber a visita daquele parente distante, daquele amigo que quer impressionar... É necessário manter o jardim vivo sempre. Assim como as flores, o coração precisa receber estímulos diários para manter-se puro e limpo. Eu cuido do meu jardim, porque nunca sei quando vou receber visitas... A vida solitária tem dessas coisas, sempre achamos que não há quem nos observe, mas em um belo dia, como se diz por aí, batem na porta. É preciso estar pronta pra abrir ou não.

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