Talvez ela saiba de cor

10:03 PM

O que tem por trás desse sorriso é tão turbulento, tão mascarado apesar de não parecer. Há tantas palavras escondidas em meio a esse silêncio, tudo que eu tenho tentado evitar há mais de um mês vem sendo acumulado, dia após dia. Em cada sorriso forçado que preciso usar às vezes, em cada impulso de falar sobre. O vicio de falar é real, mas descobri um autocontrole incrível que eu jamais imaginei ter. De tanto me conhecer, me observar, sei que esse é o caminho mais difícil em alguns aspectos... Vou guardando aqui dentro, só pra mim, e externamente a pose de inabalável vai criando uma casca mais forte. É engraçado, só eu sei a quantidade de coisas que passam na minha cabeça num dia, em algumas horas. Eu revivo cada dia, relembro o cheiro, gosto, como se no meu cérebro tudo tivesse acontecido ontem. Honestamente, um papo sério comigo mesma, me impressiona MUITO o fato de reconhecer que é comum haver decepções. Não sou a única a ter um coração maltratado, nem serei a última, mas ainda assim, o amor e suas vertentes é a maior força que age, impulsiona ou destrói qualquer humano. Não importa se é o sujeito mais equilibrado, racional, seguro de si... O amor AINDA e FELIZMENTE é a maior força, inclusive, capaz de romper todas as estruturas. Quando o amor é de verdade ele se encarrega sozinho de explorar cada detalhe, do físico ao transcendental de alguém. Eu tento ser no mínimo racional, mas sou incapaz, ainda me encanta perceber que o que senti era esse amor. Ouve-se muito sobre esse tal... Mas é único, acontece individualmente. Eu descobri a essência, o que no início parecia tão simples, com o tempo virou uma pedra rara aos meus olhos. É nisso que acredito. O amor só pode ser assim chamado quando se explora a essência, por mais bruta que seja essa pedra, somente quem ama enxerga o que ninguém mais foi capaz de ver. Outro ponto engraçado de quando me permito pensar sobre isso, é o quanto devo ser chamada de burra por aí. Burrice é um termo forte, eu diria pura. O amor (in)felizmente tem dessas coisas. Depois que se conhece a essência de alguém, dividem-se momentos que jamais se repetiriam, fica bastante difícil separar o que é real do que é mais inteligente aparentemente. Pra exploradora da essência aqui, o coração partido por quem quis maltratar, causou dor, infelizmente não entende que deve esquecer. Ta aí, eu penso muito sobre esse esquecimento, como se fosse uma opção. Eu sempre fui uma mulher de escolha, não de opção, além do mais, seria necessário ser portadora de Alzheimer. Às vezes eu tento jurar a mim mesma que isso vai passar e que, bem ou mal, é uma situação que todos passam. Um coração maltratado devia ser mais orgulhoso, devia eliminar automaticamente todos os resquícios do que um dia já foi. Eu faço um esforço descomunal todos os dias pra fingir que não é comigo, para não entupir os ouvidos de ninguém com o que diz respeito a mim, e de uma forma estranha, acho que estão acreditando. A Raíssa que fica sozinha relembra em cada cômodo, cada lugar, música, absolutamente tudo parece conspirar, como quem diz "vai, esquece isso e muda de vida!". Sempre fui e sou contra falsidade, fingimento, mas já pedindo desculpa a mim mesma por atropelar meus valores, se alguém perguntar, direi que estou ótima! Direi e digo mais, que isso tudo passa, que acontece com todos. Não é o que nos ensinam a dizer? Pois bem. Querer estar bem já é um grande passo para, quem sabe, conseguir sentir-se bem. Todas as vezes que deixo escapar qualquer pensamento a respeito do que eu ainda sinto, parece que estão me despindo, vendo o que há por trás dos meus olhos, causa desconforto. O tempo é curto, mas a sensação é de que envelheci alguns anos. No fundo eu me sinto despida agora, sendo observada mais intimamente do que qualquer outra maneira, como se estivessem lendo minha alma, o que eu tenho tentado mascarar tanto. Eu estou com um nó preso na garganta e não é de hoje... Mas ainda o bastante pra eu tomar fôlego. Pelo menos aqui posso me permitir afrouxar um pouco desse nó. Bom, tava precisando.

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