Doa a quem doer

12:08 AM

Já quero começar o texto prometendo a mim mesma que pararei com a mania insuportável de escrever apenas quando preciso de refúgio, quase sempre quando não estou associando o momento a fatos bastante positivos, então... Parei. Ando numa esperança tão grande por tudo, por todos atualmente, creio que o próximo ano estará gritando de surpresas pra mim, compensando cada diazinho de cão que tive neste. To brincando, não sou ingrata, sei o quanto tive e estou tendo grandes momentos neste ano, mas cá entre nós, por outro lado, em muito os astros podiam ter me poupado. Sempre costumo comparar que há alguns momentos na vida que batemos na porta do inferno, sentimos o arder e voltamos, voltamos ao céu quase na mesma velocidade. No fundo não é nada mal experimentar o lado bom e ruim da vida, acho até que alcançar um crescimento e amadurecimento só é possível dessa forma. Vou usar das palavras do maravilhoso Humberto Gessinger ao dizer que "toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos". Não sei se ele quis dizer no mesmo contexto que encaixo, apenas associo a situações assim, você arranja uma força, arranja uma maneira de enxergar além quando não há outra alternativa. Isso é incrivelmente mágico. De uns tempos pra cá tantas coisas aconteceram, muitas mesmo! Coisas inacreditáveis, e eu só me dou conta de quão sortuda eu sou, presenteada com uma vida perfeita na medida certa. Em semanas vivenciei e ainda estou vivenciado momentos que jamais aconteceriam se eu estivesse remando outro barco. O tal barco que eu falo sempre, sabe como é, aquela história de remar sozinha uma hora cansa. Mudei a direção dos ventos, o porto, o barco, a quantidade de tripulantes. "Conheci uma guria que eu já conhecia, de outros carnavais, com outra fantasia". A "guriazinha" já não é a solitária disfarçada, é a solitária que só se encontra nessa situação se for por opção. Em meio a tantas porções de alegria que venho experimentando, falta-me a chance de falar a respeito, sei lá, sempre acreditei que não é muito auspicioso gritar isso muito alto. Meu silêncio há algum tempo substituiu o que era nó por aquilo que é plano, reto, contínuo e seguro. Eu chamo de harmonia, de paz. Eu realmente precisava registrar um pouquinho, mas só um pouquinho do que anda acontecendo. São dias melhores pra sempre, dias que eu não calculo o tamanho da queda, dias que não me ameaçam e que não me afrontam ou enganam... São oportunidades de fazer um percurso novo, bem diferente. Vou contar um segredo: esse percurso novo é cheio de surpresas, parece que é assim mesmo, quanto menos se espera mais novidades nos salta aos olhos. Eu vou levando assim, de mansinho, saboreando as porções de alegria com a mesma cautela que saboreio meu chocolate favorito, lentamente e sem pressa, porque devagar a gente observa melhor os detalhes.

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