Animal sentimental

9:49 PM

Hoje durante uma aula de neurociências apareceu no ar os seguintes questionamentos: uma enxaqueca, que aparece em determinadas situações e outras não, poderia ser explicada como? Uma doença de pele de fundo emocional? Entre outras coisas, esses questionamentos só estavam provando que existem muitas coisas mascaradas pela mente. Bom, eu é claro não pisquei durante a aula e conectei com milhares de outras ideias. Durante a vida nós engolimos alguns sapos, às vezes engolimos uns elefantes também e não expulsamos, vai enchendo, enchendo... Mas uma hora ou outra isso aparecerá. Não me arrisco a admitir qual ou quais são os elefantes que estão se salientando em meu corpo, mas sei exatamente os nós que estão formando e me sufocando. Eu não acredito em bons sentimentos, somado a tristeza resultar em mágoa, mas de todas as palavras que me resta, talvez eu esteja me encaixando nessa. Mágoa aprisiona, mágoa corrói, mágoa martela uma mesma ideia diariamente, então... É, talvez seja isso. Meu coração é bom demais, me torno uma presa fácil pra quebrar a cara inúmeras vezes por aí, mas eu sou assim, infelizmente sei das maldades e possibilidades de ações das pessoas ao meu redor, mas sou incapaz de absorver, lidar bem com isso. Algumas situações já ocorreram, mas nenhuma me atingiu com tanta violência, com tanta intensidade. Há quase sete meses eu não passo um dia sequer sem pensar, lembrar e sentir uma porcentagem da mesma tristeza que senti no dia em que me magoei. Ok, aí é fácil pra muita gente declarar logo assim: "grande coisa, uma mágoa numa menina de quase vinte anos!”, "todos passam por isso, vai passar!", "você é nova demais, isso não é nada!", "parte pra outra, esquece isso!". Honestamente, eu não sonho em ser uma psicóloga à toa. "Esquecer" é tão simples, tão simples, que se torna até irônico, acho que essa frase foi feita de brincadeira e ninguém sabe. Esquecer significa não valorizar mais determinada situação. Esquecer significa não se importar mais com qualquer possibilidade, agir como se não o atingisse. Eu me recuso a ouvir coisas como essas e achar natural. Bem, talvez isso se chame mágoa em nosso meio social, pra mim é injustiça, tristeza, entre outras coisas. Eu ainda tenho muitas dificuldades em parar com a mania de tentar entrar na cabeça do outro, pensar que o outro pensa de maneira "x" ou "y". Todas as vezes que imagino (e acredito) que outra pessoa pensa de determinada forma, é quase sempre de forma dolorosa , sem remorso ou qualquer respeito humano em relação a mim... E o silêncio que se fez desde então me reafirma quase diariamente esses pensamentos. Seguir meu próprio caminho e deixar todas essas dores pra trás é o mesmo que admitir que não me atinge ou não me atingiu, e na verdade foi mais do que isso, arrancou uma parte de mim. O tal elefante que eu falei é esse, que se formou do silêncio que foi crescendo em cada dia, semana, mês. Às vezes é insuportável perceber que mais uma vez, outra e outra eu estou na posição de terceira pessoa, me imaginando com o pensamento alheio, torturando pensamentos que não são próprios. Bom, ainda não sei qual o nome certo pra isso, mas sei que irá passar, mesmo que eu desacredite no ápice dos momentos de dor. Me sinto velando uma alma, um sentimento que já não existe... Velando em respeito, em consideração a mim mesma, por tudo que eu acreditei e mesmo com razões pra enterrar, mantenho as cinzas.

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