Borboleta no aquário

3:31 AM

Um dia desses fiquei rindo sozinha enquanto pensava numa resposta quando me perguntaram se o que escrevo aqui é sobre mim ou são personagens. Sabe que nem eu sei?! E nem sei se tenho mesmo a obrigação de escolher. Na maioria das vezes é um monólogo de frente para o espelho, mesmo que haja uma identificação em massa. Às vezes é uma forma de me estapear, falo de coisas que não quero admitir a mim mesma, mas preciso encarar. Acredito que todos nós temos máscaras sociais e usamos da maneira que for conveniente. Quando convém uso o verbo em primeira pessoa, mas sei o momento de me referir em terceira. Não é que com isso eu esteja sendo mais ou menos franca, apenas delimitando o nível de exposição. De repente percebi quão fundamental pra mim é pensar mil vezes sobre certos assuntos e, no final ter real necessidade de escancarar aqui. Nunca fui dada a pouca coisa, a sentimentos de meio termo, comigo é tudo demais! Talvez o que pareça ser vários pontos de vistas diferentes, ora um texto falando sobre algo e o seguinte contradizendo seja confuso, mas... E se eu for isso mesmo, tão sobrecarregada que preciso despejar um pouco de tudo que me cabe. Acho que a palavra mais próxima é essa, sobrecarregada. Não estou reclamando, pelo contrário... O preço é alto, mas meus ombros são fortes. Sou incapaz de sair de casa num final de semana se não reconhecer que as companhias que estarão comigo são dignas disto, simplesmente porque não tenho obrigação para com superficialidades. Pra maioria das pessoas é absurdo, é bobagem, mas bobagem, pra mim, é não viver intensamente. Viver intensamente significa estar inteiro no que faz. Inteira nas amizades, inteira nas conversas, no amor. Se isso me gera desgaste? Ah, gera... Gera, em geral me choco um pouco com o que vejo por aí, o oposto do que sou. É um prazer cada vez mais raro me deparar com pessoas que abraçam porque precisam do toque. Beijam porque as palavras já não alcançam mais força. Se entregam numa relação porque percebem que não é forma de curar solidão, é a escolha de dividir uma vida. Respeitam porque entendem perfeitamente como deslealdade dói. Sei lá, já cogitei a loucura de viver uma vida mais acomodada diante de tudo, mas quer saber... Não mereço. Mereço receber do universo aquilo que dou, portanto, é por isso que eu não desisto de ser quem sou em cada detalhe! Não é sobre ego, sobre orgulho, sobre narcisismo... É sobre amor próprio. É por amor, e sempre será por amor que me transbordo. Aceitamos aquilo que julgamos merecer, e eu SEI o quanto mereço. Mereço relações intensas, amores inteiros! Mereço viver uma vida sem "mais ou menos". É fácil reconhecer as recompensas quando compreendemos o valor do que estamos dando.

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