Tudo se transforma... E eu me rendo

2:21 AM

Vivemos à espera de algo que abale nossas estruturas, à espera de uma mudança que arrase nossas expectativas e ideais, e quando acontece... Ficamos paralisados sem saber como agir, sem aceitar o que sentimos algumas vezes, nos deparamos com o que ninguém gosta de sentir ou admitir: medo. Um dia você desejou sentir frio no estômago por alguém, tremer ao ver o nome da pessoa enquanto o telefone toca, ensaiou apresentações aos amigos e familiares, pensou em como seria beijar a pessoa ao amanhecer o dia com hálito matinal, pensou em como seria a primeira discussão e a primeira reconciliação... Você idealizou um amor. Com a força das ações, dos céus, do que quer que seja esse amor então aparece e, de repente, nada daquilo que foi previsto ocorre, não sabe lidar. Os sentimentos são assim, fogem do controle, e é humanamente natural se desesperar ao perceber isso, pelo menos pra mim, sim. É desesperador perceber que não cabe em minhas mãos as decisões e rumos que seguirão aquele amor detalhadamente projetado. A gente não projeta, só sente e se coloca em pleno campo aberto e espera que haja o ataque. Sim, ataque, porque o amor ou qualquer sentimento parecido não é uma nuvem cor de rosa como parece... É louco, não mede a força, não tem um aviso de cuidado. Há muito tempo o medo ou a insegurança foi injustiçada e a maioria das pessoas torna o termo como algo medíocre, e jamais, ninguém ousa admitir! Olha o tamanho da bobagem, insegurança é como uma segunda pele, ela está ali, mesmo que ninguém a veja. Eu insisto em dizer que, amor carrega um pouco de medo, é tão grande o sentimento que ao pensar em qualquer abalo sentimos medo. Falta-me um pouco de habilidade em explicar, mas sabe quando um bebê está começando a dar os primeiros passos e chora se você se afastar? Você sabe que ele se sustenta, mas precisa estar ali perto, mostrando que ele não está desprotegido. O amor é igual, pede proteção, pede cuidado, mesmo que tudo pareça bem e intocável, requer um cuidado vitalício. Vejo a insegurança não como algo que deve ser mantido, longe disso, é óbvio que devemos tentar nos livrar. Eu detesto admitir que por vezes sinto medo ou que estou perfeitamente bem e de repente aquela semente tenta vingar... Mas entendi que, assim como outros sentimentos bons, temos que aprender a conviver com nossas emoções e transformá-las no que podemos. Vale a pena mais um pequeno esclarecimento de que, não é que isso tenha que ser intensificado, é só que é natural... Tudo que é precioso cuidamos, guardamos, protegemos constantemente e torna-se natural temer. E se isso for algum defeito, por mim, tudo bem. É difícil saber que somos vulneráveis. Num dia você percebe que está dividindo o edredom, quando antes detestava a ideia de dividir a cama. Você se desloca de distâncias grandes, sem se preocupar com horários porque os dois precisam daquele instante. Percebe que não precisa mais conferir que dia do mês cai determinada data, porque ela já tem um significado diferente e importante para os dois. Você percebe que faz parte intimamente da vida de alguém e vice versa, agora se trata de responsabilidades e se isso não te assusta... Comece a se observar, provavelmente não é aquela coisa, aquela que todo mundo deseja, nem que seja no mais íntimo pensamento. O amor causa pavor, mas é um pavor tão desejado, tão compensador, que vale à pena contar um, dois, três, mil vezes se for preciso até relembrar os motivos que levaram a sustentar aquela união... É nessas horas que a insegurança se esvai. Por fim, você aprende a transformar a emoção e sobra espaço somente para as garras que, apesar de assustadoras, estão ali para afagar o coração. - (Escrevi ouvindo isso aqui)

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