Verbo errado

10:02 PM

Mais importante do que traçar caminhos a seguir, eu acredito que não desistir no meio do caminho é fundamental. Todos os dias somos afogados num mar de escolhas a fazer, desde as pequenas escolhas entre cores de roupas até decisões que podem mudar a história de vida (mais ou menos, acho que tudo é modificável a qualquer momento, mas isso fica pra depois!). É arriscado, é estar vivo. Uma vida sem escolhas é mais angustiante do que pode parecer, não sei se acredito nessa possibilidade, mas se alguém experimenta viver assim, livre de decisões, apenas aceitando o que vier... Também não tem o direito de reclamar do que receber da vida. É justo. Acho que a principal maneira de se sentir vivo e fazer alguma diferença na vida dos outros é tomar rumos e se responsabilizar por eles. Aos vinte anos, minhas escolhas não foram até então muito grandiosas, mas todas tiveram sua importância no momento devido. Decidi um dia que faria psicologia, ok. No meio do curso percebi que detestava sociologia, decidi então que trancaria a matéria e um dia, sei lá, futuramente encararia. Que bobagem... Essa ideia ficou na minha cabeça por alguns dias, mas bastou um estalo de realidade e achei um absurdo atrasar a grade curricular simplesmente porque não gostava daquela matéria. Eu nem tinha feito a primeira prova! Bom, esse pequeno exemplo me abriu um horizonte bem maior. A vida não pode ser levada assim, como uma matéria chata, porém obrigatória, em que posso adiar, adiar até encarar no dia que já estiver saturada e evitado até o último momento. Me senti covarde por ter cogitado isso. Sempre defendi a ideia de que devemos encarar os problemas ou situações de frente, adiar não faz sentido, uma hora terei que enfrentar. Com a academia ocorreu algo semelhante, me disseram que eu não suportaria mais do que três meses, e já passou mais de um ano com resultados mais do que satisfatórios! Desistir é uma palavra que desconheço. Resolvi enfrentar aspectos profissionais, mentais, físicos, resolvi enfrentar o amor, eu mesma, e tantas coisas que não cabem ser ditas aqui... Resolvi não dar ouvidos a nada e ninguém que um dia fraquejou, seja lá por qual razão, e que tentou me fazer engolir goela a baixo um “desista”. Eu não desisto de nada, nem de mim mesma que, por algumas vezes achei que tinha desistido e meu coração sempre incomodava dizendo que nada estava perdido. Desculpem-me os que já tentaram e resolveram desistir, pra mim, desistir é sinônimo de morte em vida. Os caminhos oferecem mil alternativas, em algumas situações poderemos nos perder e teremos a opção de retornar, traçar um novo caminho, mas nunca, nunca desacreditar. Seguir um rumo é mais do que uma escolha por algo ou alguém, é por nós mesmos, é a maior prova de que nos amamos e merecemos seguir. Na minha vida, não existe a possibilidade de usar o verbo desistir, desde que percebi que isso significa infelicidade, adiamento, só consigo codificar essa palavra por seguir. E sigo, sabendo que o caminho é longo, mas os resultados foram semeados por mim.

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