Anti-gravitacional

2:33 AM

Às vezes me esqueço de que algumas coisas não devemos pedir ou cobrar, apenas esperar que aconteçam naturalmente. No tempo certo. A alma grita, o coração pulsa, eu não sei fazer outra coisa a não ser obedecê-los. Muitas vezes mordo a língua ao perceber que, mais uma vez fiz o que já tinha prometido não fazer... Demonstrar tanto meu anseio pelo amor, pela intensidade e com isso observar se não estou atropelando etapas. Eu não sei muito bem o que significa isso, comigo é tudo assim mesmo, forte, intenso, não titubeio ou penso muito... Eu sigo meus sinais, minhas intuições mandam uma ordem e eu obedeço. Com esse jeito meio impulsivo e impaciente, não sei como, mas sobrou uma brechinha de sensatez que me mostrou que cada coisa tem seu tempo. É difícil saber que daquela sementinha vai brotar uma linda rosa, mas no tempo certo, não adianta eu querer regar a cada minuto ou fazer sombra em cima da coitadinha sem deixar a luz do sol entrar... Tudo ao seu tempo. Às vezes alguns minutos duram uma verdadeira eternidade para mim, é quase insuportável. Às vezes nesses poucos minutos sinto quase um desespero de querer ouvir ou dizer certas coisas que, no fundo, sei que precisam amadurecer para que tenham o efeito certo no momento certo. Não sei se me faço muito clara nesse aspecto, mas para mim, até os maiores anseios de sentimento são ditos em brincadeira, numa vontade louca de mostrar que os sentimentos me tomam pelo corpo inteiro. Muitas vezes nessas conversas ou brincadeiras eu deixo transparecer meu desejo de ser arrebatada, tomada, embriagada de amor, desse amor que eu tanto falo... Mas lembro do tempo do outro. Respeitar o meu tempo e dos outros. Lembro da tal semente que cultivo com tanto carinho e que, por querê-la tão bem, as vezes não percebo que posso estar exagerando na pressa de vê-la brotar, virar o que eu esperei tanto para ver. Nem sempre é simples entender, mas o tempo (mais uma vez, o tempo!) nos ensina que cada criatura, cada semente, tudo tem seu tempo certo. É difícil racionalizar sobre isso, mas acho que também entendi que, mesmo que não seja dito, algumas coisas já estão expressas à sua maneira. Uma rosa não deixará de ser uma rosa só porque ainda é semente. Amor, para ser considerado amor, não necessita das três palavras tão desejáveis... A gente simplesmente sabe quando ele está ali. São raros esses momentos de sensatez que me obrigo a ter, mas quando acontece, boa parte dos anseios são substituídos por calmaria. Ah, calmaria... Me ensinou que o dever é fazer a nossa parte e enfim, aprender a esperar.

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3 comentários

  1. Boa sacada, amor a gente sente mesmo, nem é preciso ser dito pra tê-lo ali. Boa comparação, boa metáfora!!!Amei!!!

    Beijo, Rose

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  2. :O Nossa que a sensação de compania me tomou! rsrsrs

    Achei que estava só nessa! Penso muito assim, Sou muito assim, talvez eu tenha que aprender a esperar' rs
    ótimo texto :P
    Edjardison Moreira

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    1. Obrigada, Ed! Ter paciência é mesmo um exercício diário!

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