Florescendo

2:31 AM

Sou uma pessoa de suspiros. Frequentemente me pego suspirando, tentando puxar o ar como se tivesse algo pesado obstruindo a passagem, como se carregasse certo peso. Não que isso soe ruim para mim, longe disso, só me soa eu. Acredito que esses suspiros são as palavras, os discursos que eu guardo na garganta com vontade de dizer há algumas pessoas, as vezes em que queria gritar que é preciso ver além do óbvio, é a vontade de dizer que é preciso valorizar mais a leveza, os sentimentos, e parar de perder tempo, de se perder. Não sei se é isso que chamam de Inteligência emocional, na verdade nesse quesito acho que tenho déficit de aprendizagem, mas criei um conceito de inteligência emocional, e esse me diz que ser inteligente é regar suas plantas todos os dias. Ser inteligente é entender que mesmo cuidando, algumas folhas irão secar e cair. Outro dia, possivelmente, nos sentiremos culpados por colocar água demais. Haverá dias em que todo o cuidado renderá em lindas flores coloridas, azuis de preferência, sempre quis uma planta azul. Tem dias em que toda essa inteligência emocional criada não responde meus próprios questionamentos, e sinto que ser da maneira que sou inteiramente sentimento é absurdamente errado! É ser absurdamente burra. Tem dias que acredito que feliz mesmo são aqueles que sabem fingir que está tudo bem, agir com frieza, engolir o choro e vestir a capa de orgulho. Bom, como minha teoria da inteligência é pautada nas minhas próprias vivências, esses dias em que defendo que ser sem-sentimentos-vestido-com-capa é melhor duram pouquíssimas horas... Logo percebo que gente assim sofre. Sofre muito! (sofre tanto que é assunto para outro texto). E quem pensa que ser puro sentimento não causa sofrimento, digo que também causa, mas uma vez minha mãe disse que nós só podemos oferecer aos outros o que existe dentro do nosso coração. Nunca mais esqueci. Só transmitimos o que sentimos. Não é à toa que não entro em jogo de perdas, medição de forças. Se a competição for sobre quem é mais hostil, é com prazer que me retiro! Aqui só existe carinho, braços abertos, paciência, tudo feito com amor. É simples, uma hora aprendemos que a planta reage no tempo dela, mas quem quer ter um jardim bonito precisa ter paciência, e compreender que mais do que depositar confiança, adubo, ou seja a metáfora que melhor convém, é preciso aprender a se dedicar e cuidar. Como eu disse no início, as vezes a necessidade de trazer todas as palavras prontas, expor o que existe aqui dentro nem sempre é o melhor caminho... Porque cuidar é deixar florescer no tempo certo, sem pressa, tudo encontra uma maneira de se ajeitar, e quem tiver de aprender, não sou eu quem irá ensinar. Só preciso cuidar.

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