Um pouco de Atena, Joana e eu

2:03 AM

Cheguei tão cansada. Dentro da minha pequena rotina de férias, entrei cansada em casa e estava vazia... Eu também me sentia assim, solitária. Por muitas vezes eu escolho a solitude, mas agora era diferente, era sentimento de solidão. Sempre converso com minha força maior, Deus, universo, tento ouvir cada barulhinho aqui dentro, e ultimamente sinto vontade de correr enquanto essa voz me pede para andar devagar. Bom, as vezes não entendemos os planos divinos, sentimos raiva, frustração, é um sentimento indefinido que oscila entre tristeza e raiva. Durante a vida inteira passamos por fases e isso é absolutamente necessário, o problema é quando você está meio cansado de passar por algumas fases. Sempre tão elogiada pela minha maturidade, o que poucos sabem é que mesmo tão nova já passei por longas batalhas... As coisas são meio loucas mesmo, há quem passe a vida inteira num mar calmo e tranquilo, outros precisam aprender desde cedo o que é sentir dor. Crescer e aprender é isso – você precisa se jogar, mergulhar e se oferecer por inteiro se quiser ter o melhor, mas também precisa pagar para ver, saber que há sempre dois lados. As coisas nunca foram fáceis para mim, sabe... Minha alma é de Joana D’Arc, preciso de batalhas, acho até que me viciei nelas. A cada vez que enxergo uma luz piscando ao fundo, encaro como um alvo, e preciso atingir... Preciso enfrentar mesmo que me machuque. Há muito tempo não sabia o que era guerrear, me apaixonar por um alvo e talvez abandonar meus escudos. Olha que loucura... Me enxerguei naquele outro escudo. Baixei a guarda. Não existia mais medos ou palavras contidas, nunca gostei disso mesmo, então encontrei meu lugar. Há muito tempo esperei por esse momento: a guerreira que sempre andava com uma espada se enxergou em outro olhar, e viu o que havia de mais importante por trás do escudo e foi como magia, sobrenatural, como se a alma dissesse que encontrou um lugar seguro para ficar e não precisava mais lutar. A guerreira, encantada, deixou a espada e o escudo de lado... Mas esqueceu de se certificar se o território era seguro. Bom, assim como Joana D’Arc, o desfecho dessa história não é dos melhores... Não adiantou abdicar de escudos, não adiantou se reconhecer em outra alma e outro olhar. Se você decide não encarar como batalha e se rende, está fadado a encarar as consequências. Encarei. Juro que já tentei trocar de fantasia, seria tão mais fácil assumir o papel de princesa e esperar pacientemente pelo meu príncipe (parece que funciona com todas!), mas só consigo me identificar com a guerreira. Prefiro me olhar e enxergar cada cicatriz, ter a certeza de que em todas elas eu corri, corri muito e me esforcei muito para ter um sorriso de satisfação e gratidão. As batalhas são assim, algumas vezes vencemos, algumas vezes somos derrotados... Mas cabe a nós manter o espírito de bravura. Em cada batalha, por menor que seja e mais boba que pareça, se eu identifico como importante, me atiro. Quando perco, a dor é terrível. Parece masoquista, eu sei, mas meu coração é elástico... Ta aí, meu coração é elástico. Aqui dentro cabe uma porção de coisas boas e SÓ tem espaço para as coisas boas! Por vezes se machuca, machucam ele, mas sou incansável. É bom que estejam preparados, nunca se sabe o espírito que reside por trás de cada rosto de jovem menina. Carrego minhas armas e estou sempre pronta para recomeçar.

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