A dose que cura

4:26 AM

Quando nos machucamos tendemos a criar barreiras e mecanismos dentro de nós que nos levam para caminhos ainda mais dolorosos. Sem perceber, as vezes aceitamos tão pouco, nos submetemos a situações tão medíocres e nos perdemos de nós mesmos. Passamos a acreditar que o normal é conviver sempre com o que maltrata. Quando nos machucamos, a tendência natural é ir nos acostumando com a dor, esperando que o tempo cure... Mas nem sempre é assim que acontece. Algumas vezes não há como adiar, é preciso intervir, retirar o que está causando aquelas feridas. Nós temos um medo irracional de encarar os fatos na ilusão de que o que virá depois será ainda pior. Quer saber? Só existe cura quando tratamos aquela dor, não há milagre. Estou falando tudo isso porque quero chegar ao ponto importante da história... Aquele sentimento semelhante ao de quando éramos crianças e não queríamos encarar o remédio que arde, mesmo sangrando, nós corríamos, nos escondíamos, fazíamos de tudo para não encarar! Para alguns, a vida afetiva na fase adulta não é diferente. Assim como o remédio que ardia e curava, a cura acontece quando nós aceitamos os fatos e paramos de nos boicotar, nos enganar ou fugir de oportunidades melhores. A escolha sempre está em nossas mãos, o difícil as vezes é parar de deixar aquela criança de dentro falar por nós e ter a responsabilidade de que somos capazes de gerenciar nossa própria vida. Aceite que quando algo ainda machuca é porque precisa ser tratado. Cutucar feridas antigas pode doer, mas somente dessa maneira somos capazes de sentir a liberdade de uma vida sem desconfortos. Quando tratamos nosso interior com cuidado, com respeito, conseguimos cicatrizar o que estava aberto e nos permitimos seguir.

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