Saiba es(colher)

2:58 AM

Quantas vezes me pego pensando durante horas e horas sobre uma espécie de doença que acomete as pessoas e as tornam tão limitadas diante da própria vida: o medo. Não é difícil observar pessoas cada vez mais fechadas numa bolha protetora, mantendo contatos rasos, sem profundidade. Não sei realmente dizer se é a facilidade de descartar pessoas e sentimentos, se é deficiência de caráter, problemas de ordem emocional mal resolvidos ou somente preguiça de estabelecer relações mais sólidas, mas o fato é que alguma coisa está mantendo esse padrão. Todo mundo conhece alguém incrível que está sozinho. Todo mundo conhece alguém que procura incansavelmente o amor, estabilidade, possui características encantadoras e só encontra vampiros energéticos. Como? Já parou para pensar que toda essa superficialidade rouba a oportunidade de amadurecer emocionalmente? Rouba oportunidades de se permitir estar com pessoas maravilhosas e crescer, aprender? Por trás de discursos de decepções amorosas ou do famoso "não encontrei a pessoa certa" pode estar escondido uma pessoa passiva e acomodada, que não quer se comprometer e tomar as rédeas da própria vida, assumir suas fraquezas e vontades. É assustador, mas é real. Existe uma divisão entre pessoas sedentas de amor, de envolvimento, doação e entrega, que estão prontas, mas se veem sozinhas nesse mar de descarte. Existe nesse mesmo mar pessoas fracas que não enxergam, ou não querem enxergar as barras de ouro velejando logo em frente. Tenho a nítida sensação de que os tempos atuais nos oferecem muitas facilidades, de todos os tipos, inclusive de meios de se relacionar... E isso não é necessariamente positivo. A falsa ilusão de muitas opções como sendo algo positivo faz com que algumas pessoas descartem possibilidades insubstituíveis, pois estão sempre olhando além, além, acreditando que as outras opções podem ser ainda melhores, então é mais fácil deixar passar. Tá aí... Enquanto acredita-se que a próxima possibilidade pode ser ainda melhor do que as anteriores cria-se um parâmetro meio sem nexo. Melhor em que? Melhor do que quem? Ora, se você não permite que aquela ou aquelas pessoas mostrem quem são, o que podem ser, como será possível definir se são boas escolhas? Se daria certo? Tudo que é regado, cresce. As plantas crescem onde tem espaço. As pessoas e sentimentos florescem quando permitimos que assim seja feito. Não se deve culpar ninguém se a escolha de deixar morrer de inanição foi sua. A insatisfação na vida afetiva ocorre quando não enxergamos o que está diante de nós e insistimos em descartar o que não é descartável. Comecei falando sobre medo e aqui explico: o medo nos torna irracionais diante de coisas óbvias. O medo irracional nos faz fugitivos em contextos em que a última escolha seria fugir. O medo faz com que pessoas percam oportunidades. Escolher nadar no raso e conseguir correr de um lado para o outro pode parecer uma habilidade genial, mas não é essa escolha que lhe garantirá o conforto de mergulhar e abrir os braços contemplando todo o espaço do fundo. Ao escolher relações express, efêmeras, esteja ciente de que aquela pessoa pode ser a chave e o baú do tesouro em suas mãos... Fácil, pronto, finalizando sua caminhada, mas você, por medo, prefere continuar as cegas na ilusão ambiciosa de sempre querer mais.

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